Existe um linha tênue entre a coragem e a burrice. De tempos pra cá comecei a questionar onde foi que eu parei. Sem poder enxergar a tal linha, concluí que bem em cima dela.Sair do Brasil e sentar campo em terra estrangeira aos vinte e seis anos simplesmente aconteceu. Perdi e ganhei – como em qualquer escolha na vida que nos leva pra longe, no sentido físico, mental ou espiritual.
Ter uma filha com um norueguês mais novo que eu, em Londres, sem planejar nem pensar pode ter sido irresponsável, mas foi ao mesmo tempo maravilhoso.
Me encontrar na Inglaterra, sem pai nem mãe, sem trabalho (preços de creches e horários de trabalho são proibitivos para quem não é professora ou bancária) e sem nem sequer uma amiga que soubesse preço - ou utilidade - de fraldas foi duro.
No Brasil eu cresci com a certeza de que um dia teria filhos, carreira, empregada e, provavelmente, ex-marido...
Sete anos se passaram desde que a Lea nasceu. Muito passou. Muito ficou. Tudo o que aprendi carrego comigo. É aquilo que ninguém pode nos tirar.
Decidi que fiquei na Inglaterra para fazer o que tinha que ser feito (por mim) e agora posso voltar para o Brasil. E que ficar seria ultrapassar o limite da coragem...







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