18 May 2009

Fuss Free


Jessica Valenti vai se casar. Ela é colunista do The Guardian e feminista assumida, então o assunto ganhou duas páginas, com direito a foto do casal, no jornal de sexta-feira, 24 de abril. O futuro marido também é feminista. Ela não tem um anel de diamante, a decisão foi tomada pelos dois – ninguém se ajoelhou. Valenti não vai se casar de branco, não vai adotar o nome do marido e os filhos terão os sobrenomes do pai e da mãe (em lugar de usar só o do pai, como é comum na Inglaterra).

As reações vieram de toda a parte. As amigas feministas acham que casamento é confirmação do patriarcado. O resto dos comentaristas ficou escandalizado com a quebra das maravilhosas tradições. Existem web sites (!) sobre o assunto. Emily Kennedy (?) conta que se casou de roxo e se recusou a servir um ‘crap-tastic white cake’ – referência ao tradicional bolo de casamento, que é branco e geralmente ‘crap’ (tradução: mais que coco, menos que merda, em termos de semântica, obviamente).

Eu só conseguia pensar na minha própria experiência (e referência) de casamentos. Estou no segundo. O primeiro teve festa de noivado, anéis (diferentes e nos polegares), presentes e caminhão de mudança. Nunca pisamos em um cartório. Aqui esse já não conta. O termo é ‘partnership’. O segundo não teve noivado, a única de branco era nossa filha, aos 10 meses de idade, os bolos eram dois e nenhum era branco.

Meu nome continua o mesmo – para desgosto do sogro e deleite da sogra. Minha filha tem dois sobrenomes - só pra deixar de usar o meu mais rápido que eu deixei de usar o da minha mãe, mas está lá. Eles, os nomes, parecem ser os maiores causadores de repercussão. Minha vizinha ficou surpresa em saber que não adotar o nome do marido era uma possibilidade. Teria mantido o seu. É mais bonito. Mas a minha preferida é o futuro marido ofendido. Ou chateado. Ouvi algumas vezes: eu ia manter meu nome, mas ele ficou todo chateado e eu achei bonitinho (cute)... na última vez que ouvi isso não aguentei: e você caiu!?

Pelo visto o Brasil tem muito o que ensinar a Inglaterra quando o assunto é casamento no século XXI.

(Fuss: espalhafato, rebuliço, barulho, agitação, excitação, preocupação exagerada – na falta de uma palavra só para traduzir...)

7 comments:

Anonymous said...

Eu tbem não caí, amiga. Bjss. Mari Vaccaro

Anonymous said...

Rapaz, só agora os reconheci na foto... Que LINDOS!!!!!!!!

ANANDA said...

Obrigada... quem me diz isso?

Anonymous said...

Bem, eu tb me casei de roxo hehe nao troquei de sobrenome e ate hje as pessoas perguntam qdo vou usar o nome do Jerko.
Brinco que meu nome e Marilia Peixoto Coelho de Souza Cimperšak Žigrović! Pra completar a lei na Croacia diz que a noiva pra trocar de sobrenome deve ter so o do marido e nao os dois...
Bjinhos Marilia

Anonymous said...

acho que vou casar também...

beijos, luz

ANANDA said...

O que? De véu e grinalda? Não... teu casamento vai ser pagão... flores na cabeça? Sério? Cartório? Com as meninas entregando os anéis?

Precisamos conversar... adorei encontrar teus comentários blog afora, mas precisamos falar... palavras pronunciadas em voz alta. Saudade. Lots of love,

A

giovanna said...

tenho quase todas as coisas em comum com a jessica valenti: tbem sou feminista; qdo casei tbem nao ajoelhei e tbem mantive meu nome. meus filhos tem os 2 sobrenomes! e eh claro que nao casei de branco, casei foi com uma saia indiana velha, toda coloridissima e cheia de espelhos...a unica coisa que nao bate com a historia dela eh que meu marido nao eh feminista...ha ha!!!