29 May 2009

entÃO...

Coração, melão, avião, pão, violão, mamão, mão, balão, tubarão, botão, cão, calção, camarão, pião, fogão, leão, carvão, feijão, verão, chão, João, alemão, pimentão, salão, papelão e caminhão.

Estou em uma missão: fazer minha filha pronunciar este som com sotaque brasileiro. Nada fácil. Ela adora a brincadeira, tenta, mas o sotaque ainda não tá bão.

A imagem acima vale por 26 palavras - terminadas em 'ão'? Com sotaque inglês-inho...?

27 May 2009

Half-term

Quantas metades existem em um inteiro? Cada term dura três meses. Em teoria o half-term é uma semana de pausa no meio deste período – daí a palavra half (metade). Mas acabam acontecendo duas ou três vezes por term, dependendo da época do ano. Como funciona essa matemática eu não entendo.

Na semana passada outra mãe da escola da Lea (a esta altura somos todas mães de alguém) me perguntou casualmente: what are you going to do during half-term? Pensei um segundo e disse: I don’t know... pull my hair out?

Como essas mulheres conseguem ser felizes, trabalhar e criar os filhos? Ok, a maioria tem os pais perto. Grande parte não trabalha ou trabalha pouco e quem me diz que elas são felizes?

Será que crescer sabendo que nunca vai se ter uma empregada pra ajudar na casa, raramente uma babá pra buscar os filhos na escola, que o marido (ou na falta de um, o governo) vai ter que ser o principal provedor da família e que o sol só vai brilhar dois meses por ano faz do dia-a-dia uma tarefa mais fácil de encarar? Ou será que a vida depois dos trinta, com filhos pra criar, é difícil em qualquer lugar?

24 May 2009

TOMBOS

De todos os tombos
que na vida levei
o pior foi nascer
e o maior foi morrer


José Otávio da Rosa Ferlauto
11/07/1951 - 24/08/2007

20 May 2009

On the ning nang nong

Buscava eu um poema pra colocar aqui, em uma mistura de preguiça de escrever com vontade de ler e oferecer poesia, quando encontrei (no meu caderno de trabalho) esta pérola da cultura inglesa, transcrita pela minha belíssima filha.

On the ning nang nong

Where the cows go bong

And the monkeys all say boo

On the nong nang ning

Where the trees go ping

And the tea pots jiber, jaber, joo.



19 May 2009

I own the greenest car in Britain

Eu sou a proprietária do carro mais ecologicamente correto da Grã-Bretanha!

18 May 2009

Fuss Free


Jessica Valenti vai se casar. Ela é colunista do The Guardian e feminista assumida, então o assunto ganhou duas páginas, com direito a foto do casal, no jornal de sexta-feira, 24 de abril. O futuro marido também é feminista. Ela não tem um anel de diamante, a decisão foi tomada pelos dois – ninguém se ajoelhou. Valenti não vai se casar de branco, não vai adotar o nome do marido e os filhos terão os sobrenomes do pai e da mãe (em lugar de usar só o do pai, como é comum na Inglaterra).

As reações vieram de toda a parte. As amigas feministas acham que casamento é confirmação do patriarcado. O resto dos comentaristas ficou escandalizado com a quebra das maravilhosas tradições. Existem web sites (!) sobre o assunto. Emily Kennedy (?) conta que se casou de roxo e se recusou a servir um ‘crap-tastic white cake’ – referência ao tradicional bolo de casamento, que é branco e geralmente ‘crap’ (tradução: mais que coco, menos que merda, em termos de semântica, obviamente).

Eu só conseguia pensar na minha própria experiência (e referência) de casamentos. Estou no segundo. O primeiro teve festa de noivado, anéis (diferentes e nos polegares), presentes e caminhão de mudança. Nunca pisamos em um cartório. Aqui esse já não conta. O termo é ‘partnership’. O segundo não teve noivado, a única de branco era nossa filha, aos 10 meses de idade, os bolos eram dois e nenhum era branco.

Meu nome continua o mesmo – para desgosto do sogro e deleite da sogra. Minha filha tem dois sobrenomes - só pra deixar de usar o meu mais rápido que eu deixei de usar o da minha mãe, mas está lá. Eles, os nomes, parecem ser os maiores causadores de repercussão. Minha vizinha ficou surpresa em saber que não adotar o nome do marido era uma possibilidade. Teria mantido o seu. É mais bonito. Mas a minha preferida é o futuro marido ofendido. Ou chateado. Ouvi algumas vezes: eu ia manter meu nome, mas ele ficou todo chateado e eu achei bonitinho (cute)... na última vez que ouvi isso não aguentei: e você caiu!?

Pelo visto o Brasil tem muito o que ensinar a Inglaterra quando o assunto é casamento no século XXI.

(Fuss: espalhafato, rebuliço, barulho, agitação, excitação, preocupação exagerada – na falta de uma palavra só para traduzir...)

12 May 2009

Era uma vez no parlamento inglês...

As primeiras páginas dos jornais ingleses vem tratando do mesmo assunto nos últimos quatro dias: as despesas dos membros do parlamento que tem sido pagas pelo povo (pelo governo, com o dinheiro dos impostos). David Cameron, o líder da oposição, se desculpou em nome de seus companheiros de partido antes de serem acusados. Já Gordon Brown, o primeiro ministro, deixou três dias passarem antes de se manifestar. Mas pediu desculpas em nome de todos os membros de seu partido e dos políticos em geral.

Os disparates vão de uma barra de KitKat (£ 0,50 – R$ 1,50) à manutenção dos jardins de suas segundas casas (uma das contas foi de £ 5.650 - R$ 16.950). O autor do primeiro se desculpou e prometeu devolver o dinheiro. O do segundo esclareceu que a conta não era para a ‘construção’ de um novo jardim, mas sim para a manutenção de um que já existia. Em outras palavras: cortar a grama e aparar os arbustos – por sete meses. Há números maiores e melhores justificativas.

Já o primeiro ministro teve que explicar por que pagou a conta da faxineira do irmão (£ 6.500 – R$ 19.500 por um ano). No jornal de ontem, a cunhada (de Gordon) conta como ele sempre foi desorganizado e que a casa dele, quando era solteiro, era uma zona (!). Então ele precisava de ajuda – portanto o hábito de usar a mesma faxineira vem de longa data. E assim vai...

A questão é: membros do parlamento tem direito a despesas de uma segunda casa pagas pelo governo - desde que eles não morem em Londres antes de serem eleitos. As contas podem ser as prestações de uma nova casa, móveis, eletrodomésticos, manutenção em geral, material de escritório, salários de assistentes e muitas outras despesas.

O escândalo que agora vem a tona é resultado da distorção que os políticos descobriram que podiam get away with (escapar) dentro do sistema. Então apesar de os custos serem muitas vezes altíssimos, ou apenas absurdos, eles não infringiram nenhuma lei. O problema é que quase todos tiraram vantagem das regras para usar o dinheiro em benefício próprio - muito além do que seria razoável. Agora o sistema vai mudar. Não sei se rio ou se choro.

Mas antes de enfiar o dedo na nossa ferida devo esclarecer: se por um lado a estrutura política do Reino Unido é exemplar (em comparação com a nossa), por outro teremos que lidar com um novo problema . Por conta da desilusão do povo diante dos maiores partidos do país, o BNP (British National Party) está mais forte. A previsão é de que eles vão ganhar muitos votos extras na próxima eleição. O BNP é abertamente racista, conservador e extremista. E (hurray!) odeiam estrangeiros de qualquer cor. Não que eu seja branca nestas bandas do mundo anyway...

08 May 2009

Direito à Luz do Sol – Right of Light Act

Pra quem acha que eu reclamo demais da falta de sol aqui está um exemplo do quanto isto afeta a vida dos moradores da ilha da rainha.

http://www.opsi.gov.uk/RevisedStatutes/Acts/ukpga/1959/cukpga_19590056_en_1

Se você não sabe ler inglês ou não tem tempo (e bastante) de sobra o assunto é o seguinte:

Em 1959 o congresso do Reino Unido aprovou uma reforma para a lei que tratava do direito de um proprietário sobre a luz que entra em sua propriedade. Simplificando ao máximo: ninguém pode construir uma casa ou prédio sem ter certeza de que o mesmo não vai interferir no acesso a luz do sol do seu vizinho.

Achei hilário, mas pra rir mesmo, só se for riso nervoso...

Tudo começou num reino distante...

Ustaoset, 29 de dezembro de 2003.

Hoje o sol nasceu no leste. O Geo me explicou que a cabana está posicionada bem ‘reta’ em relação aos pontos cardeais. A janela que dá para o leste é a da sala de jantar. Ou melhor, da mesa de jantar, a sala é uma só. O céu estava cian. Na janela do lado sul tudo estava azul. O sol chegou radiante. Com força total, esquentando a gente quando se senta para ler, comer, brincar ou só se esquentar. Lá fora faz –20ºC. A Lea não pode sair de casa - está frio demais. Eu não quero sair de casa.

Lea ontem completou 11 meses. Está linda. Muito esperta e cheia de vontades. Descobriu uvas. Acho que a Noruega sempre vai ter gosto de uvas para ela.

O sol me faz feliz. A lareira está acesa. Marthe e Thea foram embora hoje - com Hasse e Unn-Hilda. Lea dorme. Reina um silêncio absoluto. Um silêncio que só conheci quando conheci a neve. Neve. Com letra maíuscula, cobrindo tudo: montanhas, estradas e casas. Aqui é como aqueles lugares que a gente vê em filmes americanos ou nos gibis da Luluzinha. A neve tem que ser tirada da porta com uma pá, quase todos os dias. Mas não este ano. Nevou pouco. Calculo um metro e meio!

Como chocolates e bergamotas. Bergamotas. Elas não podem ser chamadas de outra coisa. Tirei algumas fotos das crianças. Só. A paisagem é inspiradora, mas a vontade de só pensar é mais forte. Vontade de escrever. Dizem que fotografa quem não sabe desenhar. Será que escreve quem não consegue fotografar? Ou será tudo ao contrário?

Terminei de ler o livro da Vera há uns dois dias. Lindo. Cru, mas sincero – adjetivos calculados não são honestos como os espontâneos. Saudade dela. E do Pancho. E da minha família. E da Valentina. E da praia. Do mar. Da areia. Da mistura dos dois...

Preciso dormir

05 May 2009

Pão, manteiga e bacon


Na América do Sul se trabalha para ganhar o pão; na Europa se trabalha para ganhar o pão com manteiga; nos Estados Unidos para trazer para casa o bacon.
O que será que vai mudar com essa crise-reviravolta mundial? Será que os americanos começarão a trabalhar para consumo próprio, em menor escala, com atenção as fontes de sua riqueza? Naturais e humanas - no mundo todo? E os europeus? Trabalharão para o pão, manteiga e água potável? Viverão de acordo com suas realidades – financeira e de recursos naturais? Perceberão que igualdade só dentro de casa não é suficiente?
E o Brasil? Vai tirar suas crianças e velhos das ruas? Organizar seu sistema de impostos e dividir melhor suas riquezas?

04 May 2009

Spring is here. And so am I.



A primavera está aqui. E eu também.
Sábias palavras, de bons amigos, lá e aqui: não é o lugar que faz a vida da gente. Somos nós. Desde então penso nisso seguido. As vezes digo pra mim mesma: estou bem, contente comigo e com a minha vida. Só não quero passar meus dias e criar minha filha longe do Brasil. A vida é curta. Em outros dias tudo embola de novo... tenho medo de ir e medo de ficar.

Nesta época do ano o sol esquenta (acreditem: no inverno, nas raras ocasiões em que faz sol, a temperatura é a mesma no sol e na sombra). As árvores começaram a florescer e as pessoas andam mais felizes e sorridentes – e com menos roupas. Os gramados públicos estão cheios de gente bebendo o sol, fazendo piqueniques, lendo, namorando – casais gays namoram em público. Tudo muito civilizado.

A vida inglesa nesta época do ano é tranquila e agradável. É mais fácil entender o que me manteve aqui. Também é mais fácil entender os contos de fadas clássicos e Papai Noel - entender as mudanças que as diferentes estações do ano trazem. Talvez esta mudança seja o que me dá mais serenidade; junto com os pequenos prazeres da vida, como contato com a natureza e amigos - ao mesmo tempo.

Então por enquanto estou aqui. Por um mês teremos o Brighton Festival – o que quer dizer que a cidade transpira arte por todos os poros e os parques tem atividades gratuitas para crianças de todas as idades. Todos os finais de semana. E hoje é feriado. E eu moro perto da praia. Aqui estarei durante o verão europeu. De corpo e boa parte da alma.

01 May 2009

23 April 2009

Do Limbo ao Inferno

No inferno não existem divisões de parágrafo. Em breve sairei dele e feliz retornarei ao limbo.

Please bear with me. Once again, for a bit longer...

Thank you!

Oxigênio


“Teu blog

Oi, Ananda. Como vão vocês e tu, especialmente?
Li o teu blog e gostei muito!! Tentei enviar um
comentário que me surgiu na hora mas não entrou. Vou ver se leio com calma e te
escrevo algum comentário, pois queria te contar da emoção de ver um blog teu e ver aquela tua foto de pequenina de que muito me lembrava.


Na real, é um luxo vivermos numa época como a nossa, onde temos internet e Skype. Antes era terrível o tempo que demorava o correio e o telefone para o Exterior. Além de muito caro era demoradíssimo. Lembro-me que do Uruguay só conseguiram completar a chamada na hora para o Brasil na ocasião da morte do papai [aí era imediato]. Caso contrário, a telefonista determinava o número de horas que demoraria para completar a ligação.
Quero enviar-te a receita de pizza que sempre faço e é rápida e fácil [massa de scones do livro Crandom uruguaio]:

2 xícaras de farinha de trigo
4 colherzinhas de chá de Royal

1 colherzinha de chá de sal

1/3 da mesma xícara [da farinha] de óleo e o restante da xícara, ou seja, 2/3 de água


Misturar a farinha, o Royal e o sal juntos e acrescentar isso à xicara de água com óleo. Depois de tudo bem misturado, fazer com as mãos uma bola deixando de lado para untar a forma com óleo. Põe essa massa na forma com as mãos esticando e se grudar nas mãos, acrescenta um pouquinho de farinha de trigo. Podes por o molho de tomate que fazes ou compras e por cima, fatias de queijo muzzarela ou outro [queijo prato] e se quiseres pôr em cima sardinha em lata esmagada ou atum ou outro peixe [a gosto]. Antes eu punha fatias de queijo e molho de tomate por cima. Podes por orégano etc no molho de tomate comprado e variar o recheio.


Beijos com saudades. Vou te mandar receita de quiche da Beatriz que vende para fora. Abraços a todos. Depois me diz se gostaste desta receita; faz-se MUITO RÁPIDO.


Bom apetite, Marta.”


Tia, quem mais? Adoro o ‘Royal e o quiche da Beatriz’ - me sinto em Porto Alegre. E ela tem razão, e-mails e Skype são um luxo!


“Continuação da Pizza

A Marta pediu para te dizer que ela começa com o forno forte e depois de bem quente diminui. O tempo total é de 30 a 40 min. Quando estiver cheirando abre o forno e confere com o garfo.
Ela pede que dês retorno para ela ou para mim, para saber se tu achaste fácil como ela acha! As outras são mais trabalhosas, tipo quiche. O recheio pode ser presunto e queijo, salame ou linguiça ou vegetariano de brócoli e queijo, frango e queijo sempre com molho de tomate bem incrementado ou suave.

BOM Apetite!!! A Marta te manda!


Beijos, saudades,
Paz.”

Mãe. Adoro ‘quando estiver cheirando’; e uma continuando a mensagem da outra... família via rede ainda é família.


“Quiche da Beatriz

Massa:
250gr farinha de trigo
1 ovo

125 margarina

1 pitada de sal


Colocar a farinha, margarina, sal, mistura até formar uma farofa, depois o ovo. Mistura até ficar homogêneo e se necessário, um pouco de água fria.
Pré aquecer a massa [15 minutos mais ou menos dependendo do forno]. Depois colocar recheio e assar.

Recheio obrigatório:

50gr queijo ralado

100gr queijo lanche

1 caixa pequena de creme de leite

1 ovo
sal e pimenta

Acrescentar 1 sabor [escolher um deles]:


2 cebolas grandes ou bacon 300gr ou legumes refogados ou 4 queijos: 50gr provolone e 30gr gorgonzola


OBS
.: só faço com sabor de queijos, mas eu diminuo um pouco a gordura do recheio mas tem que se tentar para ver, pois nos países frios é diferente. Bom Apetite!!”


What can I say? Bom apetite... seja ele por quiche, leitura, ou vida vivida perto daqueles que a gente ama - em qualquer meio.

20 April 2009

Reality TV or not reality TV


Este vídeo é um dos assuntos mais comentados na Inglaterra esses dias.
Sem entrar no mérito do que são a indústria da Reality TV e afins...

Ladies and gentlemen: Susan Boyle!

http://www.youtube.com/watch?v=RxPZh4AnWyk

19 April 2009

Cuidado com o que se pede


Há dias não leio o jornal com calma, não respondo e-mails e não guardo a roupa limpa nos armários. Como é possível encontrar tempo pra tudo que se quer, deve ou pensa que se deve fazer? Trabalho foi o que eu pedi por tanto tempo. Agora estou afundando nele(s). Aqui, no meu limbo virtual (redundância?), ainda não descobri por que ninguém consegue registrar comentários. Eu, como anônima e em outro computador, consigo - mas depois não posso apagá-los.

Pedi ajuda ao Pancho (http://panchocappeletti.blogspot.com). Ele me enviou uma sugestão sensata prontamente – que não funcionou nas minhas mãos. Passei mais tempo do que tinha pra gastar em busca da solução. Tudo o que consegui foi perder minhas divisões de parágrafos dos textos.


E percebi que a internet é um lugar onde a gente está sozinho.

15 April 2009

Falando em Cuba...

i am cuba - SOY CUBA


Produzido e dirigido pelo russo Mikhail Kalatozov nos anos 60, re-lançado pelos americanos
Francis Ford Coppola e Martin Scorsese nos 90. O filme é uma obra de arte.


Soy Cuba - O Mamute Siberiano



Intrigado pela estética impecável e inovadora, momento histórico, fracasso de bilheteria em Cuba e na Russia que fazem parte da história deste filme, o brasileiro Vicente Ferraz fez um documentário sobre as filmagens e encontrou vários dos atores e equipe que trabalharam no original, quarenta anos antes.

Se o povo brasileiro inteiro sabe disso e eu acho que estou dando uma dica superbacana me desculpem. É nisso que dá escrever do limbo. E continuo sem conseguir colocar os links em uma janela separada. Bear with me a bit longer.

http://www.youtube.com/watch?v=zvwLZOpxAFQ

http://www.youtube.com/watch?v=SChhY0auEdI

Cuba



Nunca fui a Cuba. Não irei antes que ela mude para sempre. Mas acompanho a mudança - com curiosidade, simpatia e alguma perplexidade - por dois meios:

The Guardian & Generación Y. Publico aqui os respectivos endereços. O primeiro é um jornal inglês que tenta desesperadamente ser imparcial – e muitas vezes consegue. O segundo, escrito ‘Desde Cuba’ é um blog fascinante e furioso de uma cubana que tem o dom da escrita e milhares de leitores mundo afora.

http://www.guardian.co.uk/world/2009/apr/14/cuba-us-sanctions-obama

http://www.desdecuba.com/generaciony

13 April 2009

Branca de Neve e os vegetarianos


Ontem a noite contei pra minha filha a história da Branca de Neve no escuro. É como chamamos histórias contadas depois de a luz ser apagada. Escolhi contar como me lembro dela nos livros. Sem amenidades – como eram antes do Disney inundar a imaginação da população ocidental infantil. Na minha versão (baseada no original dos irmãos Grimm) a madrasta manda o caçador do palácio matar Branca de Neve e trazer seu coracão em uma caixa - que a malvada lhe entrega junto com ameaças à sua família se ele não cumprir a tarefa. Branca de Neve implora por sua vida e o caçador a poupa, desde que ela nunca mais volte ao palácio. Para a madrasta ele entrega a caixa com o coração de um veado que ele mata com este intuito. Aí que pegou. Minha filha não queria aceitar a morte do tal veado.

How about we say that the deer was very old and died because was old and then the hunter found it? Mas a gente mata animais pra comer. Ele matou um veado pra salvar a vida da Branca de Neve. And to save his own family; but I still don’t want the deer to die! Mas você adora comer carne. But I don’t want animals to die! Mas animais matam outros animais pra comer. Well, if I were God, I would make it different. When I go back to school can I tell them that I wont eat any meat because my mum doesn’t want me to?

Nas escolas sempre é servida uma opção vegetariana. 5% da população do Reino Unido é vegetariana (em Londres a minha impressão é de que o número é 40%). A razão é essa mesma, não matar animais. Nos supermercados se encontra hamburger, salsicha, bacon e carne moída vegetarianos. Alguns são deliciosos, outros intragáveis. Eu continuo carnívora. Com moderação. Pelo mesmo motivo que meus pais foram vegetarianos (brasileiros, daqueles que comem carne branca) por muitos e muitos anos: minha própria saúde.

Hoje, 6:30, hora do jantar, a moça continua seguindo sua dieta vegetariana.

12 April 2009

TV


Uma das boas coisas da vida na Inglaterra é a televisão. BBC, Channel4 ... e os comerciais!

T-Mobile
http://www.youtube.com/watch?v=VQ3d3KigPQM

Muller Corner
http://www.youtube.com/watch?v=82M5PRJNybc&feature=related

Cadburys
http://www.youtube.com/watch?v=PkknI1hTnjo



08 April 2009

Proparoxítonas - todas são acentuadas


Assim como as paroxítonas terminadas em ditongo (duas vogais juntas) e ‘I’ e ‘U’ quando formam uma sílaba sozinhos - como em ra-í-zes. Eu nunca esqueci essas regras, desde que as decorei, na 4ª ou 5ª série do primeiro grau, no Colégio Americano em Porto Alegre. Hoje em dia, morando na Inglaterra, falando um português cada vez mais quebrado, descubro que as regras de acentuação mudaram. Ou vão mudar. Tremas se vão, essa é fácil. Mas fácil é uma paroxítona terminada em ‘L’ , elas são acentuadas. Ou não mais? Hífen, não hífen... meu Deus! Por enquanto escreverei com as ultrapassadas regras. E possivelmente, ocasionalmente, misturarei as línguas que uso diariamente. Bear with me.

Luxo


Quando me mudei para São Paulo, em 1995, não sabia dirigir. Fui morar na Vila Olímpia e acabei arrumando trabalho, por coincidência na verdade, muito perto de casa. Ia trabalhar a pé. Que luxo! Disse meu pai. Morar em São Paulo e ir trabalhar a pé. Aprendi então um novo sentido para a palavra luxo. Hoje em dia me permito o luxo de ler o jornal e tomar chá todos os dias de manhã, com calma. De morar perto do mar e falar duas línguas, com gente do mundo inteiro, todos os dias.

Sinto muita falta do luxo que é o sol brilhando na cara, quase todos os dias do ano. Há quatro anos não sinto o sol na pele como sentia no Brasil. Há quatro anos não vou ao Brasil no verão. O resultado é uma vontade desesperadora de ir com a mala, cuia, gato e container.

Home


Na Inglaterra os estrangeiros se referem ao seu(s) país(es) de origem como home - e são. A princípio me incomodava um pouco: por que chamar o Brasil – ou a Austrália, ou Holanda – de home, quando a casa da gente está aqui? Por que essa não é a casa da gente. Hoje tenho uma casa aqui. Um lugar onde cair morta. E este é o último lugar no mundo onde quero cair morta. Quando morrer quero estar mais perto do sol.

07 April 2009

Ame-o ou deixe-o


Hoje em dia se pode amar o Brasil e ainda assim deixá-lo. Ivan Lessa saiu e nunca mais voltou. Mora em Londres. Explica que quando sai de férias prefere ir à algum lugar onde nunca esteve antes. Há quem more na Inglaterra e assine tv a cabo com direito a Globo, Record, novelas e Ana Maria Braga. É perfeitamente possível não aprender a falar inglês. Comer feijoada, goiabada, pão de queijo e se juntar pra batucar nos domingos. Além de, claro, falar mal da Inglaterra e dos ingleses.

Eu cheguei aqui há dez anos, aprendi a língua, casei com um Norueguês e fiz uma inglesinha - ainda que não nesta ordem e que ela tenha três nacionalidades e nenhuma delas seja a britânica. Mas essa é outra história. Nunca li a Folha Online, até pouco tempo não sabia quem eram Los Hermanos e só ouvi Seu Jorge umas duas vezes. Explico que prefiro manter minha cabeça onde está meu corpo.

Me acostumei – e adaptei – a extrema educação do ingleses, a falta de contato físico, ao discurso e a prática do politicamente correto. Tomo chá com leite, reclamo do tempo e dos trens quando atrasam mais de dois minutos. Inglezisses. Mas reclamo da falta de gosto das frutas, da total falta de espontaneidade e da consideração superficial dos ingleses. Sim, também falo mal da Inglaterra e dos ingleses, mas para um público seleto. Assim como escolho a dedo pra quem reclamar de qualquer coisa brasileira, seja a corrupção instituida, a violência que assombra ou o conformismo que abate. Até agora.

Agora quero voltar pra casa, mas minha casa não é mais como lembro dela. Sai do Brasil sem filha, sem casa e o marido era outro. Estou no limbo. Limbo não passa de um teologúmeno, escreve João Moreira Salles – na Piauí de novembro de 2006, a que tem o Che vestindo uma camiseta com a cara do Bart Simpson na capa. O argumento é ótimo; a matéria é rica em história do cristianismo e tem humor nos lugares certos. Aqui recomendo (com certo atraso!). Mas limbo já se incorporou ao meu vocabulário como definição de um lugar sem definição e eu não consigo encontrar descrição melhor para o meu dia-a-dia neste país. Esses dias não estou lá nem aqui.